• Anelise Campoi

O Futuro das cidades: Como nós podemos nos preparar para esse futuro próximo?





Podemos dizer que nos últimos 20 anos, a tecnologia deu um salto e coisas que só víamos na tela dos filmes de ficção científica, são cada vez mais naturais para nossas ações diárias. Se é possível facilitar tantas atividades cotidianas com um smartphone, imagine o que podemos fazer profissionalmente para transformar nossas cidades em centros de inclusão, acessibilidade e facilidade?


Hoje, ainda é possível ver instalações que não são totalmente adaptadas para essa onda de tecnologia que sofremos nas últimas duas décadas, e a nossa função é transformar esses espaços em locais que possam falar a mesma língua da atualidade.


Para falarmos de futuro, precisamos antes de perspectiva: Todos nós já vimos filmes que faziam previsões irreais do futuro, e não podemos cair na imaginação e deixar que nossa mente faça o resto. É preciso entender a perspectiva dos avanços e estar por dentro das novas tendências tech para tomar as iniciativas corretas em direção a um futuro mais “certeiro” possível.


Precisamos fazer a pergunta certa para tomar a direção certa: “O futuro será mais minimalista ou mais orgânico e complexo? As novas tecnologias e materiais afetarão a forma, estética, prosperidade e funções das cidades de amanhã?”


Cientistas e especialistas estão em constante pesquisa para desenvolver novos materiais, ou reaproveitar os materiais que descartamos ao longo de tantos anos de civilização moderna. O futuro certamente será mais ecológico, mais centrado no desenvolvimento de energia renovável, com a reutilização mais consciente e popularizada dos materiais. Até porque não poderemos mais produzir tanto lixo, por falta de recursos para nos livrar dos dejetos.





Para a construção das estruturas nas cidades, os materiais altamente tecnológicos tomarão cada vez mais espaço, deixando os materiais mais orgânicos para construções específicas, como parques e outros espaços destinados à descompressão urbana, certamente com referências aos ambientes naturais que nos passam tanta tranquilidade.


E quando falamos em estruturas, podemos citar um material que têm sido a aposta para muitos profissionais na área de pesquisas e desenvolvimento: GRAFENO. Este é um material 200x mais forte que o aço e até 6 vezes mais leve, sem contar as outras características básicas que colocam o material como um dos principais compostos para o futuro da construção civil.


O Aerogel é outro material que têm deixado os cientistas bastante esperançosos com o futuro da construção. O material é composto por gases e possui excelentes propriedades como isolante térmico ou acústico. Não podemos descartar os avanços que a indústria do vidro, aço e polímeros têm conquistado ao longo dos anos, uma vez que esses materiais têm lugar garantido em um futuro onde tudo será mais leve, sustentável e projetado para durar o máximo de tempo, custando o mínimo possível.


Sim, com a flexibilização de várias ocupações, precisamos pensar também nos avanços que serão gerados pela mudança do mercado. O ano de 2020 provou que muitos de nós podemos trabalhar de casa e produzir (até mais do que presencialmente) bons resultados para nossas organizações. Imagine que a necessidade de grandes centros comerciais e fábricas seja diminuída em 30% (no mínimo), como você acha que isso afetaria a estrutura das cidades ao redor do mundo? Com menos pessoas saindo de casa todos os dias, o trânsito seria consideravelmente menor, as cidades poderiam se modificar a ponto de transformar antigos edifícios comerciais em outras construções com apelo mais voltado ao desenvolvimento socio-cultural.


Um conceito chamado “Mineração Urbana” pode tomar cada vez mais espaço para implantar cada vez mais a reciclagem de resíduos e materiais nos grandes centros urbanos, onde a concentração de pessoas é maior, e a possibilidade de reaproveitar os materiais para gerar mais matéria prima para outras finalidades se faz tão necessária. Esse conceito certamente vai poupar - os já escassos - recursos naturais e preservar a natureza em sua forma.






Quando falamos em reciclagem, podemos pensar na regeneração autônoma de alguns materiais, que estarão cumprindo suas funções matrizes, e também já estarão se ajustando para cumprir funções secundárias. Imagine um painel de vidro/polímero em fachadas que se adaptam ao clima para captar energia solar/eólica, ou também trabalham como purificadores de ar, na captação e recirculação do ar? Pode parecer loucura, mas se observarmos os avanços tecnológicos de perto, capacidades como essas parecem cada vez mais palpáveis.


A impressão 3D também pode ter uma importância gigantesca nesse futuro, já que poderemos reaproveitar os materiais que já foram impressos. Alguns prédios já foram impressos na China e temos a certeza de que a Ásia não será a única a construir edifícios dessa forma, em um futuro próximo.


Em nosso último post (leia aqui), mostramos como algumas mulheres de Bangladesh utilizaram bambu e barro para construir um espaço incrível para pessoas com necessidades especiais. O Centro Anandaloy fica na pequena cidade de Rudrapur, e foi construído aproveitando exclusivamente os recursos da região. O espaço ganhou um prêmio de arquitetura social por ser um projeto de proposta tão inovadora, e ter sido construído com uma quantidade finita de recursos financeiros e de mão de obra. Leia o post completo aqui.


A ideia central é reproduzir tais conceitos nas cidades, aproveitando cada vez mais dos nossos recursos urbanos para construir novas instalações, ou reformar aquelas que estão sendo mais agredidas pelo tempo.





Onde está a função do profissional nessa equação? Estar sempre em busca de novas alternativas, de novos conhecimentos e de novas abordagens para realizar as mesmas ações. Em nossas devidas ocupações, aprendemos que devemos ser profissionais de exemplo, ética, qualidade e dedicação. Devemos abraçar esses valores, e a partir de agora, utilizar mais dois valores que podem ser a regência futura quando falamos em construção e projetos: consciência social e consciência sustentável.


É um desafio prever o futuro e as tecnologias que podem surgir daqui pra frente, mas os conceitos sociais e de sustentabilidade certamente serão os principais temas de discussão para o futuro, onde teremos muito mais exemplos de informação e formação nessas áreas. Independente de como será o futuro, precisamos trabalhar para que nossas ações pessoais e profissionais estejam garantindo uma vida longa, saudável e pacífica para a nossa e para as próximas gerações.





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